Bêbado - Eu tenho uma caçadeira lá em casa. (este é sempre um bom tópico para se iniciar uma conversa com um estranho - infalível, diz-se isto e a malta fica logo interessada)
Homem que falava com ele e que eu cheguei a pensar que era amigo dele mas foi-se a ver e era um perfeito desconhecido (para mim e para o bêbado, óbvio) - Ai é? (diz ele a rir-se) (ri-te, ri-te, olha que ele passa-se e depois quero-te ver a rir)
Bêbado - O que eu queria era matar a minha mulher.
Homem (o tal) - Ó homem, não faça uma coisa dessas!
Bêbado - Ah pois não faço. Eu até estive a conversar com 2 polícias lá da minha terra. Cheguei à beira deles e disse-lhes que queria matar a minha mulher mas que não ia matar. "E sabem porquê?", perguntei-lhes eu. E o senhor, sabe porquê?
(e agora nós tentamos adivinhar razões para o homem não matar a mulher... Ora bem... Gosta dela? Ná, muito óbvio... Não assinou um acordo pré-nupcial que lhe fosse vantajoso? Também não deve ser isto... Será católico e por isso não se quer divorciar? Ná, se fosse isso também não a mataria. Mas que raios, porque razão não quererá o homem matar a mulher?!)
Homem (o tal) - Não, não sei.
Bêbado - Olhe, os polícias também não sabiam. Mas eu disse-lhes. Eu cheguei à beira deles e disse-lhes: "Eu não mato a minha mulher porque vocês não sabem cozinhar".
(Aha! Por esta ninguém esperava!)
Homem (o tal) - (só abriu a boca, nem disse mais nada)
Bêbado - E é mesmo por isso. Então a minha mulher faz comida tão boa e eu ia comer para a cadeia, onde eles nem sabem cozinhar? Para que é que eu ia matá-la se depois ia comer mal?
(Realmente! O homem é bêbado mas não é burro!)
Bêbado - O senhor já foi à tropa?
Homem (o tal) - Já.
Bêbado - A comida lá também era uma merda. E ia eu matar a minha mulher para ir para a cadeia comer mal como na tropa? O c@r@lho! Eu até gosto dela! (e querias matá-la, imagina se não gostasses dela!)
Homem (o tal) - Pois, então é melhor não mata-la.
Bêbado - Claro que não vou matar a minha mulher, não sou burro. (burro não, só ligeiramente estúpido. Alem de que burro já é o Scolari.)
(depois de 10 minutos de conversas idiotas - algumas partes gravadas pelo Bloguótico):
Bêbado - Eu saio nesta estação, deixe passar! (o comboio pára neste momento)
Homem (o tal) - Eu deixo, vá lá!
Bêbado - O senhor é católico?
Homem (o tal) - Sou.
Bêbado - Então reze por mim. (nem adeus, nem xausinho nem nada)
Bêbado (dirige-se para a porta) - Abre-te vaca! (se ele tratar assim a mulher deve ser ela quem o quer matar a ele e não ao contrário)